sexta-feira, novembro 03, 2017

Amizades antigas? Novas? Forget!


Acabo de ler uma frase bonitinha do facebook dizendo que a segunda melhor coisa é fazer amigos, mas a primeira é manter os amigos.
Nada mais falso. O normal é que os amigos sigam o seu próprio percurso e nós o nosso, ao ponto de, a certa altura das nossas vidas, já não termos nada em comum. 
Os amigos que mantemos ao longo da vida, ou é por condescendência, ou por inclusão, ou, mais raramente, porque continuamos a ter muito em comum, ao ponto de mantermos o que aprendemos uns com os outros. Estes são raríssimos.
Os novos amigos, esses sim, são giríssimos. Porque chegaram ao nosso caminho por vias travessas. E não têm de ficar para sempre.

terça-feira, outubro 31, 2017

Dia de Todos os Santos

O dia de Todos os Santos é um dia leve, um dia feliz e muito bom, o dia em que aqueles que amamos e que nos amaram voltam a aflorar as nossas vidas.

Não estão numa coisa material e sinistra como um cemitério, bem ao contrário, estão vivos e abraçáveis dentro dos nossos corações.

É o dia dos santos imperfeitos: a nossa mãe a nossa tia, a nossa irmã ou vizinha, com tantos defeitos que tinham. Quantas vezes esses defeitos ou pecados são a coisa mais desculpável e a mais divertida de que nos lembramos.

Não são santos, talvez. São apenas a coisa que mais se parece com Deus.

quinta-feira, outubro 12, 2017

O grilo narrado

A minha mãe era uma mulher bondosa, com uma grande delicadeza interior e um humor que a levava a encontrar narrativas interessantes e um pouco picarescas na realidade que observava e até nela mesma.
Mas "morrem jovens aqueles que os deuses amam"...
Um dia, já em agosto, a minha mãe deu-se conta de que tinha, numa gaiola, um grilo que cantava muito bem, mas que deveria já ter morrido em Junho. Apiedada do pobre do bicho, decidiu que, tendo vivido e sobrevivido tanto tempo, o grilo merecia a liberdade.
- Quem tanto viveu, merece a liberdade!!!
Se bem o disse, melhor o fez e, com pompa e circunstância, abriu a gaiolinha e deixou-o sair.
Ainda o grilito só tinha dado meia dúzia de passos, apareceu uma galinha e comeu-o .
Este grilo nunca teria tido uma história se a minha mãe não a tivesse narrado e se hoje, 12 de outubro, eu não tivesse estado à janela, aqui em Lisboa, onde não há galinhas, a ouvir cantar um grilo sobrevivente, de provecta idade.

segunda-feira, setembro 25, 2017

Outono

O prazer das pequenas coisas.
Prazeres mais pequenos e mais subtis no outono.

sexta-feira, setembro 08, 2017

Salmo 137, letra de "By the rivers of Babylon", que todos nós já dançamos. Salmos 137





Salmos 137
1 Junto aos rios da Babilônia nós nos sentamos e choramos com saudade de Sião.
2 Ali, nos salgueiros penduramos as nossas harpas;
3 ali os nossos captores pediam-nos canções, os nossos opressores exigiam canções alegres, dizendo: "Cantem para nós uma das canções de Sião! "
4 Como poderíamos cantar as canções do Senhor numa terra estrangeira?
5 Que a minha mão direita definhe, ó Jerusalém, se eu me esquecer de ti!
6 Que a língua se me grude ao céu da boca, se eu não me lembrar de ti, e não considerar Jerusalém a minha maior alegria!
(Os últimos 3 foram retirados, podem ser consultados)

Também Camões escreveu sobre o tema, Babel e Sião
Sôbolos rios que vão

Sôbolos rios que vão
por Babilónia, me achei,
Onde sentado chorei
as lembranças de Sião
e quanto nela passei.
Ali, o rio corrente
de meus olhos foi manado,
e, tudo bem comparado,
Babilónia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.
 

Etc.

sábado, setembro 02, 2017

Algumas coisas ficarão para sempre dentro de nós.
Outras podem ser partilhadas.

terça-feira, agosto 29, 2017

Santo Agostinho

 Tarde te amei! Tarde Te amei, ó Beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu Te amei! Eis que estavas dentro, e eu, fora – e fora Te buscava, e me lançava, disforme e nada belo, perante a beleza de tudo e de todos que criaste. Estavas comigo, e eu não estava Contigo… Seguravam-me longe de Ti as coisas que não existiriam senão em Ti. Chamaste, clamaste por mim e rompeste a minha surdez. Brilhaste, resplandeceste, e a Tua Luz afugentou minha cegueira. Exalaste o Teu Perfume e, respirando-o, suspirei por Ti, Te desejei. Eu Te provei, Te saboreei e, agora, tenho fome e sede de Ti. Tocaste-me e agora ardo em desejos por Tua Paz!

Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29